quinta-feira, 11 de março de 2010

Indústria x Varejo

Engana-se quem pensa que entre indústria e varejo existe um bom relacionamento. É briga, e das feias.

Isso acontece por que, atualmente, o canal de distribuição é a capitã da rede. Ou seja, é quem possui mais poder.

Acreditem se quiser, mas grandes indústrias como Unillever, Ambev, Procter & Gamble, entre outras, muitas vezes são pressionadas a aceitar condições abusivas, como por exemplo, cobrança excessiva por gôndola e os chamados "enxovais".

Em 2002, o preço de uma gôndola era em média R$ 10 mil reais. Hoje em dia deve custar mais. "Enxoval" é quando um grande varejo inaugura uma unidade e a indústria é obrigada a fornecer gratuitamente uma determinada quantidade de produtos.

No aniversário do varejo, mais um "presente" da indústria. A indústria quer lançar um produto no varejo? Tem que pagar. Quer um display? Outra negociação. Degustação no ponto de venda? Paga e ainda fornece o promotor.

Mas e vale a pena?

A indústria, muito bobinha que é, já sabe de tudo isso e inclui eses custos no preço dos seus produtos. O que acontece é que o varejo força cada vez mais descontos, diminuindo a margem das indústrias.

A grande verdade é que um não existe sem o outro. Indústria possui o produto e varejo possui o consumidor final. Imagine um WalMart ou um Pão de Açúcar sem os produtos da Nestlé ou da Coca-Cola. E o que seria de multinacionais como Unilever e Ambev sem produtos no Zaffari ou no Nacional?

Há alguns anos, uma grande marca ficou dois meses sem produtos em uma grande rede de varejo em função dessas difíceis negocioações. Teve que voltar atrás.

Isso tudo foi discutido em uma aula na Faculdade, na qual a turma foi dividida entre indústria e varejo buscando um equilíbrio nas negocioações. Como acontece na realidade, foi uma disputa de poder e grandeza sem chegar a um consenso.

2 comentários:

Luzzi disse...

O brasileiro não vive sem Nescafé, e o Big não vive sem o cliente do pretinho...

Rodrigo disse...

E aí Diego?!

Cara, eu trabalhei como repositor no meu primeiro emprego, e parecia que as gôndolas era apenas alugadas. Era forte a pressão por espaços das "grandes empresas" que exigiam em contratos, um percentual de exposição daquele tipo de produto. Ex: Se o refreco em pó tinha 30 "frentes" em seu layout, tal marca enviava duas ou três vezes por semana seu promotor para repor aquele produto e se não tinha o percentual de frentes, já chamava o gerente ou fiscal de loja para a contagem de "frentes", onde "quanto mais frentes, mais exposto estará o produto e mais atrativo ficará o produto para o cliente.

Um abraço!